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Matrículas em cursos de especialização crescem 74% em quatro anos

09/12/2019 09:09

Busca por qualificação profissional e indenizações por demissão são motivos apontados por instituições de ensino.


Em um período de fraco desempenho da economia, disparou no país a procura por cursos superiores de especialização, mais ligados ao aperfeiçoamento profissional.

De um total de 683 mil alunos em 2016, eles passaram a ter 1,19 milhão em 2019, um crescimento de 74% em apenas quatro anos.

No mesmo período, os programas de mestrado e doutorado tiveram um crescimento bem mais tímido —18% e 9%, respectivamente—, alcançando um total de 381 mil. 

Os números fazem parte de estudo feito pelo Semesp (sindicato das mantenedoras de ensino superior) com base em dados do segundo trimestre da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) Contínua, do IBGE, e do e-MEC, sistema do Ministério da Educação.

A pesquisa leva em conta apenas cursos com duração mínima de 360 horas.

Para Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, as incertezas econômicas foram um fator decisivo para o crescimento das especializações (também conhecidas no meio acadêmico como modalidade lato sensu).

"Quando há uma crise, as pessoas se preocupam com empregabilidade: ou arrumar um trabalho ou se manter nele. E uma boa forma de fazer isso é investir na formação", afirma ele.

Segundo os dados levantados pela entidade, 85% dos alunos de especialização, como os MBAs, trabalham, dos quais 66% estão no emprego há dois anos ou mais; e 41% do total de estudantes são os principais responsáveis pelo domicílio onde vivem.

Outros fatores que, para Capelato, contribuem para o crescimento da modalidade são a redução do preço de alguns dos cursos e o aumento da oferta de aulas por meio da EAD (educação a distância), cuja flexibilidade atende bem as necessidades do público que trabalha.

As matrículas do ensino remoto mais que dobraram e atualmente respondem por 32% do total.
A recuperação da atividade econômica, ainda que lenta, também contribui para a expansão do mercado de especializações.

Diretor de Educação Executiva da FGV-SP, Paulo Lemos afirma que, após uma queda entre 2014 e 2016, as matrículas nas especializações oferecidas pelas instituições voltaram a crescer e, no ano que vem, deverão superar a marca registrada em 2013.

Uma das razões é que muitas empresas que subsidiavam ao menos parte da formação de seus funcionários puderam voltar a fazê-lo.

Ele afirma ainda que a crise também fez surgir novas demandas, como a de profissionais qualificados para trabalhar com dados com o objetivo de qualificar a tomada de decisões de negócio complexas.

O perfil do aluno de um curso de educação executiva em geral é o de uma pessoa com cinco anos de carreira, em cargo de gestão, que busca acelerar a evolução da profissional, afirma Marcelo Orticelli, diretor responsável por essa área no Insper.

Além de se diferenciar dos demais no mercado, em um MBA o estudante tem a oportunidade de ampliar a sua rede de contatos na área em que ele atua.

Pró-reitor de educação continuada da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, Silas Guerriero concorda e aponta ainda outro ingrediente da crise que turbinou o crescimento da pós-graduação lato sensu: as indenizações recebidas por profissionais demitidos de seus postos de trabalho, que muitos escolheram usar em um investimento na formação.

"Ter graduação virou o mínimo no mercado de trabalho. Para concorrer de verdade, é preciso ter algo a mais."

Embora esse diferencial também possa ser obtido com um mestrado profissional ou mesmo acadêmico, a especialização, além da rede de contatos, envolve mais conteúdo em sala de aula do que pesquisa.

"Nesses cursos, o aluno vai ter mais carga horária em sala de aula e vai mais receber conhecimento do que produzir por conta própria."

Segundo o levantamento do Semesp, 88% das matrículas em especializações estão em instituições privadas, que puxaram o crescimento da modalidade --elas aumentaram em 80% o número de alunos, quase o dobro da taxa de 41% da rede pública.

Assim como as particulares, as universidades estatais também podem cobrar uma taxa dos alunos, de acordo com decisão proferida em 2017 pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A renda média dos estudantes desses cursos, de qualquer forma, é em média 150% maior do que a daqueles que apenas fazem uma graduação —R$ 4.634,50 contra R$ 1.860,30.

O perfil do estudante é predominantemente feminino (62,6%), o que pode ser explicado pelo alto número de alunos em cursos ligados à educação, saúde e serviços sociais. Elas tradicionalmente são maioria principalmente no mercado ligado ao ensino.

O Sudeste também domina as matrículas, com 44%, seguido do Nordeste, que tem participação de 23%.

O crescimento da pós lato sensu se dá em um momento de crescimento pífio no mercado da graduação.

De 2016 a 2018, o número de matrículas nesse nível de ensino cresceu apenas 5%, segundo o Censo da Educação Superior. O aumento é puxado pela EAD. Nos cursos presenciais, o número de alunos no setor privado vem caindo.

Fonte: Folha de S. Paulo

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