NOTICIA

Efeitos da pandemia diminuirão reajuste das escolas privadas

22/09/2020 17:13

Mesmo com receita menor e inadimplência entre 30% e 40%, rede privada tem que investir mais; em alguns colégios que definiram valor, índice para 2021 caiu mais da metade


Voltar ou não voltar às aulas presenciais está bem longe de ser a única questão que as escolas terão que enfrentar. Mesmo sem data definida, uma vez que os indicadores epidemiológicos ainda não deram sinal verde para a retomada, as instituições de ensino já começaram a organizar os protocolos de segurança. O desafio agora será investir mais, exatamente num momento em que a taxa média da inadimplência está até cinco vezes maior e a situação econômica não permite grandes reajustes nas mensalidades. Entre as escolas ouvidas pela reportagem, eles serão menos da metade em relação a 2020.

De acordo com a presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Zuleica Ávila, o índice médio ainda não está definido, mas deve ser menor do que o de 2020, quando variou entre 8% e 12%. “Cada escola tem um reajuste diferenciado de acordo com sua estrutura e custo para manutenção. Acredito que elas terão muita dificuldade em fechar uma planilha com todos os reflexos deste ano. Mas o reajuste deve acompanhar apenas a inflação”, avalia Zuleica. 

O Coleguium, por exemplo, não vai alterar o valor das mensalidades da educação infantil e do ensino fundamental 1. Para as turmas de ensino fundamental 2 e de ensino médio, o reajuste será de 4,5%, menos da metade em relação ao índice de 2020 – entre 8% e 10%. 
A diretora geral do Coleguium Rede de Ensino, Daniele Passagli, explica que a correção será necessária devido a investimentos em inovação que serão feitos, como a criação de uma plataforma digital para correção online de redações e avaliações formativas contínuas. “Entendemos a situação atual das famílias, mesmo com todas essas melhorias”, explica. 

No Colégio Arnaldo, o reajuste médio para 2021 será de 5%, 60% menor em relação aos 12% deste ano. “Nossa opção foi dar um aumento mínimo, pensando no cálculo de inflação e na pandemia. É um momento de investir, mas com criatividade e sabedoria, pois está difícil para todo mundo e é hora de buscarmos fazer mais com menos”, explica a diretora do Colégio Arnaldo da unidade Anchieta, Cléa Prado.

O diretor de ensino e copresidente do grupo Bernoulli, Rommel Domingos, afirma que o índice ainda não foi definido, mas garante que, mesmo com a queda na receita e a necessidade de gastar mais com investimentos em tecnologia e protocolos de segurança que já estão sendo implantados, o reajuste de 2021 será menor do que o deste ano.

“Sabemos que as famílias estão se esforçando e entendemos que os esforços precisam vir de todas as partes. Demos descontos lineares de 10% a 20%, além de negociar caso a caso, o que gerou forte impacto na receita, além da inadimplência. Mas estamos fazendo de tudo para absorver essas dificuldades e garantir o mínimo impacto nas mensalidades”, explica Domingos.

O diretor do Bernoulli lembra que a receita está bem menor no momento em que os investimentos precisam crescer. “Entre a estrutura e a tecnologia para os protocolos de segurança, já investimos R$ 200 mil na instalação, além de um custo mensal de R$ 150 mil”, diz. 

Famílias respeitadas

Enquanto a data para a volta às aulas presenciais não sai, as escolas particulares fazem o dever de casa: implantam protocolos de segurança e realizam pesquisas para entender a preferência sobre o regime de ensino. No último levantamento feito pelo Colégio Arnaldo, 57% dos pais disseram que não enviariam os filhos para a escola caso as aulas presenciais retornem. “Já estamos consolidando um sistema de ensino híbrido”, afirma a diretora Cléa Prado.

O Bernoulli deve divulgar ainda hoje o resultado da sondagem feita com os pais. “Ainda não sabemos o percentual, mas, pelo relacionamento que temos, acreditamos que a maioria ainda prefere não voltar agora”, afirma o diretor Rommel Domingos. 

Em pesquisa feita em maio, o Coleguium detectou que 50% dos pais não se sentiam confortáveis com a volta presencial. A rede está fazendo um novo levantamento. O Loyola também fez pesquisa, mas não divulgou o resultado. O gestor do comitê Covid-19 do colégio, Agripa Mairink, afirma que ela servirá de insumo e referência para o plano de retomada. 

O Colégio Nossa Senhora das Dores não fez uma sondagem específica, mas tem conversado com os pais para informar como os protocolos vão funcionar, quando as autoridades tiverem uma posição oficial sobre o retorno. “Não tomaremos nenhuma decisão sem conversar com as famílias”, garante a diretora, irmã Eliane Viana.

O que diz o poder público

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais publicou uma lista com os protocolos de retorno das aulas. Segundo a pasta, as aulas serão retomadas no momento mais seguro para alunos e profissionais envolvidos. A Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte informa que está trabalhando para garantir a volta com segurança, mas a data desse retorno depende das autoridades sanitárias, e quem decide sobre o risco epidemiológico é o Comitê de Enfrentamento à Epidemia da Covid-19.

O que mostram os indicadores 
Parâmetros seguidos pela comunidade internacional indicam que o retorno das aulas presenciais é seguro quando o índice de transmissão estiver em 50 novos casos a cada 1 milhão de habitantes. Segundo o professor da Faculdade de Medicina da UFMG Unaí Tupinambás, atualmente esse número é de 162 em Belo Horizonte. Entre 50 e 200, o nível é de alto risco. “O momento ainda não é seguro para a volta presencial das aulas. Além dos indicadores epidemiológicos, a segurança depende da garantia de cumprimento dos protocolos”, destaca.


Foto: Alex de Jesus

Fonte: O Tempo

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