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Com universidades em colapso, Brasil tem uma das menores taxas de pessoas com ensino superior no mundo

10/09/2019 09:50

País também tem taxa baixa de conclusão; relatório da OCDE divulgado nesta terça-feira avaliou dados educacionais de 44 países


O Brasil tem uma das cinco menores taxas de pessoas com ensino superior entre 45 países analisados em um estudo divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta terça-feira. De acordo com o relatório "Education at a Glance", que inclui dados educacionais de membros e parceiros da organização.  Em um cenário de penúria nas universidades públicas do país, a pesquisa mostrou que o sistema educacional brasileiro ainda tem muitos desafios no que diz respeito à etapa.



Segundo o estudo, apenas 21% dos brasileiros de 25 a 34 anos têm diploma de ensino superior. O percentual é bem inferior à média dos países que compõem a OCDE: 44%. Outros países compõem a lista das nações com menor índice de acesso: China, com 18%; Indonésia com 16%; e Índia com 14% — no caso desses três, no entanto, o ano de referência para os dados não é 2018. Na lanterna está a África do Sul, onde apenas 6% da população dessa faixa etária têm ensino superior.


O Brasil tem a pior taxa entre os países da América Latina com dados disponíveis, ficando atrás de México (23%), Costa Rica (28%), Colômbia (29%), Chile (34%) — ano de referência diferente de 2018 — e Argentina (40%).

O país com maior índice de pessoas com ensino superior é a Coreia do Sul, onde 70% da população de 25 a 34 anos chegou à etapa. Em seguida aparece a Rússia, com 63%, e o Canadá, com 62%.


Conclusão prejudicada


Além disso, os dados da OCDE mostram que o Brasil também está entre os piores no que diz respeito à taxa de estudantes que ingressaram no ensino superior e conseguem se formar. Os dados mostram que 67% dos estudantes não conseguem concluir o curso no tempo previsto, em média quatro ou cinco anos. O índice é maior do que a média dos países com dados disponíveis sobre conclusão, onde 61% estão nessa situação.


A situação melhora sete ou oito anos após o ingresso, quando cerca de metade dos estudantes finalmente conseguem se formar, patamar ainda inferior à média, onde 67% conseguem o diploma depois desse tempo de estudo. Entre a outra metade de alunos brasileiros que não conseguiram se formar, pelo menos dois terços já abandonaram o sistema e desistiram da formatura.


Embora os dados demonstrem a necessidade de expansão do ensino superior do país, o desafio não será fácil, principalmente, em um contexto de contingenciamento. Em maio, o governo anunciou uma série de cortes no orçamento das instituições federais de ensino. A contenção de recursos tem feito com que as instituições comecem a relatar problemas em seu funcionamento. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por exemplo, suspendeu serviços de transporte e telefonia para conseguir manter as atividades.


Ao mesmo tempo, a redução no número de contratos em programas como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) têm diminuído o acesso a instituições privadas, responsáveis pela maior parte das matrículas no ensino superior no país, ao contrário do que acontece na maioria dos países da OCDE, onde menos de um terço dos estudantes estão nessas universidades.


Fonte: O Globo


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