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91% dos estudantes continuaram as aulas na pandemia, diz Unicef

26/08/2020 15:51


A pandemia mudou a rotina de estudantes de todo o país, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) estima que 44 milhões de meninas e meninos ficaram longe das salas de aula no país. No entanto,  91% das crianças ou adolescentes de 4 a 17 anos que estavam matriculados na escola antes do isolamento social continuam realizando, em casa, as atividades escolares.


Esse é um dos dados apresentados nesta terça-feira (25) pela pesquisa inédita Impactos Primários e Secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes realizada com o Ibope, que ouviu 1516 pessoas de todo o Brasil.A desigualdade permanece no país — 9% de crianças e adolescentes que estavam na escola antes da pandemia e não conseguiram continuar as atividades em casa – ficando excluídos da escola.


"Esse índice de 91% nos surpreendeu positivamente, neste momento estamos observando a qualidade da frequência das atividades, porque quanto mais próximo das aulas, melhor para o estudante manter o vínculo com a escola", destacou o chefe de Educação do Unicef, Ítalo Dutra. "Mas nos preocupa saber que estudantes estão fora da escola e oferecemos apoio técnico para que as escolas possam resgatar essas crianças e adolescentes."


A maioria dos estudantes (87%) passou a realizar as atividades pela internet – 97% entre estudantes em escolas particulares e 81% nas escolas públicas. No entanto, o nível de frequência mostra divergências significativas. Nos cinco dias da semana anteriores à pesquisa, 63% dos estudantes receberam tarefas e atividades escolares, enquanto 12% não receberam tarefa nenhuma e 6% somente em apenas um dia – ficando assim à margem do processo de aprendizagem.


Entre os dados que preocupam o Unicef está o número de crianças e adolescentes que não estavam matriculados antes mesmo da pandemia. "É um número significativo de 8%, 4,2 milhões de brasileiros fora da escola", destaca Dutra.


Tanto nas escolas públicas quanto nas escolas privadas, a comunicação com as famílias se manteve ativa. Segundo a pesquisa, 68% afirmam ter recebido contatos da escola para informar progressos das crianças nas atividades (71% nas particulares e 65% nas públicas).


Além disso, 48% afirmam que a escola entrou em contato para saber como estava a situação da casa e das crianças e dos adolescentes. Nesse ponto, o contato foi maior para quem tem filhos em escolas públicas, 51%, versus particulares, 44%.


Crise

A pesquisa também mostrou outros aspectos do impacto da quartentena na vida das famílias com crianças e adolescentes. A crise econômica provocada pela covid-19 impactou a renda dos brasileiros. Segundo a pesquisa, 55% dos entrevistados afirmam que o rendimento caiu.  Os impactos foram maiores nas famílias com crianças e adolescentes. Dessas, 63% viram sua renda diminuir.


A redução também está mais presente nas camadas mais pobres: 67% daqueles com renda familiar de até um salário mínimo tiveram redução de renda, contra 36% daqueles com renda familiar de mais de 10 salários. O estudo revela, ainda, que 18% dos brasileiros deixaram de pagar alguma conta de luz, água ou gás na pandemia.


O auxílio emergencial foi pedido por 46% dos brasileiros entrevistados. Entre quem vive com crianças e adolescentes, o percentual chegou a 52%. Dos que pediram o auxílio, 25% não foram considerados elegíveis ou ainda não receberam o auxílio. O desemprego também foi maior entre famílias com crianças e adolescentes.


Alimentação

A pandemia tem afetado a segurança alimentar e nutricional no País. Quase metade da população brasileira (49%) reportou mudanças nos hábitos alimentares desde o início da pandemia da Covid-19. Entre as famílias que residem com crianças e adolescentes, o impacto foi ainda maior: 58%.


Segundo a pesquisa, 31% das famílias com crianças e adolescentes passaram a consumir mais alimentos industrializados —  macarrão instantâneo, bolos, biscoitos recheados, achocolatados, alimentos enlatados, entre outros. Entre as famílias que não residem com crianças e adolescentes, esse aumento no consumo foi de 18%.


Outro destaque foi o aumento do consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas e do consumo de alimentos preparados em restaurantes fast-food (hambúrgueres, esfirras ou pizzas).


"A má alimentação chama a atenção tanto pelo consumo de produtos ultraprocessados, que levam à obesidade e uma série de problemas de saúde, como pela falta de comida", observa Cristina Albuquerque, chefe de Saúde do Unicef.


Para Cristina, o fechamento brusco das escolas também tem um impacto nesses dados, "uma vez que muitas crianças se alimentam da merenda escolar."


Ao mesmo tempo, o cenário de insegurança alimentar e nutricional no país ficou acentuado. Segundo a pesquisa, um em cada cinco brasileiros (21%) passou por algum momento em que os alimentos acabaram e não havia dinheiro para comprar mais. Novamente, a situação é mais preocupante entre aqueles que residem com crianças e adolescentes, em que o percentual chegou a 27%. Além disso, 6% disseram que tiveram fome e deixaram de comer por falta de dinheiro para comprar comida (9% entre quem vive com crianças e adolescentes).


Foto: Robson Mafra/AGIF/ Estadão

Fonte: R7 Notícias

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